No coração de Botafogo, dentro do conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer para a Fundação Getulio Vargas, funciona desde 2023 um espaço cultural aberto ao público — gratuito, permanente e enraizado na vida da cidade. A FGV
Arte nasceu da convicção de que uma instituição com quase oito décadas de história tem também responsabilidade com o Rio que a abriga. Seu objetivo é conectar arte, conhecimento e sociedade, por meio de exposições de grande porte, programas educativos e cursos abertos à comunidade.

Em 2025, mais de 35 mil pessoas passaram pelo espaço. Três exposições marcaram o ano. “Afro-brasilidade, uma Homenagem a Dois Valentins e a um Emanoel” reuniu mais de 300 obras para traçar um panorama da arte afro-brasileira do período colonial ao contemporâneo, colocando lado a lado Aleijadinho e Mestre Valentim, do século XVIII, e artistas como Rosana Paulino e Lucia Laguna.

Em agosto, Hugo França ocupou pela primeira vez a esplanada da Torre Niemeyer com esculturas e móveis feitos exclusivamente de resíduos florestais caídos — uma exposição ao ar livre que recebeu 15 mil visitantes em dois meses.
Em outubro estreou “Adiar o Fim do Mundo”, com curadoria de Ailton Krenak e Paulo Herkenhoff.

Krenak — filósofo, líder indígena e um dos pensadores mais influentes do Brasil contemporâneo — assina ao lado de Herkenhoff uma mostra que é também um manifesto: mais de 150 obras distribuídas em dez jardins, com Cildo
Meireles, Adriana Varejão, Ernesto Neto e Anna Maria Maiolino, entre outros, além de 11 trabalhos comissionados especialmente para a exposição.