O bem-estar da avenida

Quando se fala em saúde, pensa-se logo no cor­po em movimento. Saúde é dança, é energia. Mas o bem-estar pleno também exige cuidar da mente. Não à toa, saúde mental é uma expressão cada vez mais presente no cotidiano. E, quando o assunto é Rio de Janeiro, poucos lugares concentram tanta alegria e empolgação quanto o Carnaval.

Não é de hoje que a festa carioca é tratada como um acontecimento singular. Frequentemente apon­tado como o maior Carnaval do mundo, ele chegou ao Brasil no século XVII, trazido da Europa. Como tantas manifestações culturais do país, passou por um processo de miscigenação e incorporou dife­rentes tradições e influências. Hoje, desempenha múltiplos papéis: aproxima classes sociais, cele­bra raízes afro-brasileiras e oferece aos cariocas dias inesquecíveis de celebração coletiva.

Da Sapucaí aos grandes blocos do Aterro do Flamengo, de festas privadas aos bailinhos de bairro, todos podem vestir uma fantasia e espa­lhar glitter pela cidade. Da terça-feira de Carnaval até a Quarta-Feira de Cinzas, a energia que toma conta do Rio é uma só: celebrar intensamente e deixar as preocupações para depois.

No Sambódromo, a explosão de cores impres­siona moradores e visitantes. Fantasias exuberan­tes, carros alegóricos monumentais e adereços cintilantes transformam a avenida em um espetá­culo hipnótico. Mas o desfile não vive apenas de cenografia: são as pessoas que dão escala à festa. Passistas e rainhas de bateria exibem preparo físi­co admirável ao dançar sem pausa durante todo o percurso. Ao redor delas, sambistas cantam a ple­nos pulmões, enquanto arquibancadas e camaro­tes pulam e vibram acompanhando cada escola. Forma-se ali uma das maiores catarse coletivas de alegria do país.

E uma única avenida não seria suficiente para conter tanta energia. Durante o Carnaval, a festa se espalha pelas ruas. Blocos de todos os tama­nhos ocupam a cidade — da Zona Oeste à Zona Norte e à Zona Sul — reunindo multidões ao som de marchinhas, samba e outros ritmos.

Os blocos variam em formato e estilo. Alguns são parados; outros percorrem quilômetros ar­rastando multidões. Há megablocos organizados e encontros espontâneos de bairro. Sob o sol do verão carioca, foliões pulam, dançam, trocam abraços e se misturam na multidão, indiferentes ao calor e ao suor.

Se Carnaval é movimento, o Rio de Janeiro é o lugar ideal para viver essa experiência. É aqui que os sorrisos se multiplicam e a energia parece não ter fim. Por que não seria, então, a capital do bem-estar?